Justiça de Mato Grosso decreta prisão preventiva do "aloprado" Valdebran Padilha
Publicidade
RODRIGO VARGAS
da Agência Folha, em Cuiabá (MT)
da Agência Folha, em Cuiabá (MT)
A Justiça Federal de Mato Grosso decretou hoje a prisão preventiva do "aloprado" Valdebran Padilha, de seu irmão, o empreiteiro Waldemir Padilha, e de outras dez pessoas suspeitas de envolvimento com o suposto esquema de fraudes que teria desviado ao menos R$ 51 milhões dos cofres da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) e dos ministérios da Saúde e das Cidades.
Onze deles, incluindo os irmãos Padilha, já estavam em prisão temporária desde a semana passada, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Hygeia. A decisão de hoje incluiu a presidente da ONG Idheias, Maria Guimarães Bueno, presa hoje em Belo Horizonte (MG) e indiciada por suspeita de envolvimento com as supostas fraudes.
Também continuarão presos o tesoureiro do PMDB de Mato Grosso, Carlos Miranda, e José Luis Bezerra, sobrinho do deputado federal Carlos Bezerra, presidente estadual do partido. No mesmo despacho, o juiz libertou outros 23 suspeitos --sendo 12 servidores públicos.
Segundo a decisão, a prisão preventiva mirou os "mentores da organização criminosa" e teve o objetivo de impedir que continuassem "a fazer uso do poder político para influir em decisões de órgãos da Administração Pública e levar a cabo ilegalidades em contratos e termos de parceria firmados (...)."
Desde 2006, segundo estimativa da Polícia Federal, o volume desviado pela suposta quadrilha pode ser superior a R$ 200 milhões. "Os termos de parceria e as licitações realizadas foram um simulacro com acertos, subornos, pagamentos indevidos, corrupção de servidores públicos e utilização de métodos de persuasão próprios às estruturas criminosas de natureza mafiosa", disse o juiz.
O advogado Roger Fernandes, que representa os irmãos Valdebran e Waldemir Padilha, qualificou a decisão como "desnecessária e contraditória". "Eles não oferecem qualquer risco à investigação ou a qualquer das testemunhas", disse.
Ulisses Rabaneda, advogado de Carlos Miranda e José Luis Bezerra, disse que "não há motivos" para a prisão de seus clientes. "Não há nem sequer indício de crime. O Ministério Público terá muita dificuldade para fazer uma denúncia contra eles."