PMDB X PSDB: No meio do caminho havia uma Carta; uma Carta havia no meio do caminho
Charge de André
Aguiar.
É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulho do que o PMDB aliar-se formalmente com o PSDB. É esta a máxima que é contada pelo governador Roberto Requião a todos aqueles que o visitam na Granja Canguiri.
E se o emedebista velho de guerra, no alto dos 69 anos, resolver tucanar? “Não tenho o direito de me curvar ao neoliberalismo nesta idade”, responde à queima-roupa o governador.
Com a exceção dos deputados peemetucanos Alexandre Curi e Luiz Cláudio Romanelli, que tentam diuturnamente colocar o partido no colo do futuro ex-prefeito tucano de Curitiba, Beto Richa, quase ninguém acredita na hipótese de uma coligação formal entre PMDB e PSDB.
No meio do caminho há obstáculos irremovíveis entre Richa e Requião. Uma delas é a famigerada Carta que o “prefeitaço” publicou em fevereiro de 2007 em todos os jornais de grande circulação do país chamando o governador peemedebista de “covarde”, dentre outros adjetivos pesados.
“Como vou me juntar com alguém que eu sempre chamei de ladrão, que me processou”, diz Requião, ao recordar das supostas estripulias de José Richa Filho, o Pepe, irmão do prefeito, quando esteve à frente do Departamento de Estrada e Rodagem (DER) no final do governo Lerner (2002). “O povo não entenderia isso”,
Carta de Beto Richa endereçada ao governador Roberto Requião.
“Deixa de ser covarde, Requião
Em mais uma demonstração pública de desequilíbrio, fato que vem se tornando corriqueiro desde que venceu as eleições por pouco mais de 10 mil votos, o atual governador do Estado vem a público tentar denegrir a imagem de um homem íntegro e honesto que o Paraná e o Brasil conheceram, que foi JOSÉ RICHA, que infelizmente já não se encontra entre nós para reagir pessoalmente.
Com a minha família, senhor inquilino palaciano, o senhor não terá o silêncio que costuma ter junto de seus auxiliares, que por vezes têm medo de suas constantes loucuras públicas.
Ao longo de sua carreira política, o senhor tentou denegrir muita gente e instituições sérias, como a Imprensa, o Judiciário, o Ministério Público e até setores religiosos. Em alguns casos, até com agressões físicas, como aconteceu com jornalistas. Nós temos honra, dignidade e orgulho, como os paranaenses e brasileiros, em defender o legado de José Richa, que só se preocupou em promover o bem comum, servindo a todos com lealdade e dignidade.
Num passado recente, a repetição de seus “chiliques” públicos forjou uma imagem folclórica. Agora, passado o período eleitoral, nossa população vem conhecendo dia a dia uma pessoa que se encontra visivelmente atormentada, pondo em dúvida seu equilíbrio e decoro para o exercício do cargo. Não há dignidade no comportamento demonstrado.
A história inventada hoje na “escolinha”, tentando envolver a Família Richa, é de uma leviandade e histeria que não encontra respaldo na verdade. Desrespeitando pessoas, faz insinuações e acusações caluniosas, distorcendo fatos e inventando versões. Não hesita em tentar macular biografias que até ontem elogiava de público. Não tem limites para seus arroubos verbais – uma de suas marcas registradas.
São acusações mentirosas, sacadas de situações administrativas com o claro objetivo de confundir a opinião pública e plantar a dúvida na sociedade paranaense. Diante disso, não podemos nos calar. Não podemos aceitar que o discurso encubra a verdade, que as versões suplantem a realidade. A minha honra e a de minha família serão defendidas acima de qualquer coisa, de qualquer situação política ou conveniência administrativa.
Estamos constituindo advogado particular para interpelar judicialmente o senhor Roberto Requião para que confirme ou desminta em juízo as declarações que fez nesta data. Virulento em suas intervenções diante das câmeras, teatral em outras, o governador desfila um estilo que busca permanentemente o conflito. Talvez a estratégia esteja a serviço de um objetivo maior, o de desviar o foco de questões de amplo interesse público, como o noticiado superfaturamento de obras de saneamento no litoral do Estado – onde está o saneamento? As nossas praias estão cada vez mais poluídas, como atestam os laudos do Instituto Ambiental do Paraná – e a igualmente noticiada compra de aparelhos de TV por preços exorbitantes, de uma empresa doadora de sua última campanha eleitoral.
Como pode o governador usar a TV oficial para atacar a biografia do ex-ministro Euclides Scalco, um homem honrado, que durante as últimas décadas prestou relevantes serviços ao Paraná e ao Brasil, servindo incansavelmente à causa da democracia e do bem-estar do povo? Suas insinuações, senhor Requião, são levianas e falsas.
Contra meu irmão, José Richa Filho, o ensandecido governador levanta suspeitas sobre decisões administrativas adotadas por colegiado do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem, o DER, do qual foi diretor. Decisões que foram, inclusive, referendadas pela Justiça. Nem uma palavra sobre um de seus primeiros atos de governo em 2003, quando nomeou José Richa Filho para a Agência de Fomento.
O que hoje é suspeição – por oportunismo político, registre-se ainda mais uma vez –, na época era um atestado incontestável de boa conduta. O que mudou? Quem antes era bom, hoje já não presta? Definitivamente, é bom desconfiar dos elogios e das críticas do governador Requião. Nenhuma delas pode ser sincera. Dependerá sempre da conveniência política que atender ao governador.
Repudiamos com todas as nossas energias a esses ataques. Repelimos com a nossa honra qualquer insinuação de desvio de conduta. E vamos buscar no caminho da justiça a reparação contra qualquer ato, discurso ou leviandade que atente contra meu nome e a honra de minha família.”
Curitiba, 13 de fevereiro de 2007.
Beto Richa
Arlete Richa
José Richa Filho
Adriano Richa”.