SE É PARA DIMINUIR O TAMANHO DO ESTADO.
Por Carlos ChagasQuando sem assunto para suas crônicas, Eça de Queirós desancava o Bei de Tunis, acusando-o das maiores barbaridades. O problema é que o genial cronista jamais tinha ido a Tunis e nem sabia quem era o Bei, uma espécie de reizinho do Norte da África.
Mais ou menos a
mesma coisa acontece com os nossos jornalões e seus sucedâneos
eletrônicos. Sem assunto, dedicam-se a criticar o Estado, no caso, o
poder público. Acusam-no de gigantismo, de nomeações desvairadas, de
intromissão na economia e, acima de tudo, de gastos monumentais. Por
essas razões, sustentam, os juros andam na estratosfera e a carga
fiscal brasileira é a maior do mundo. Querem a prevalência absoluta do
mercado e da iniciativa privada, menos durante as crises econômicas,
quando, então, o tesouro nacional deve socorrê-los...
Seria bom acabar
com a farsa. Porque se pregam economia nos gastos públicos, deveriam
começar rejeitando e iniciando ampla campanha contra a publicidade
oficial que beneficia seu faturamento. Fica difícil calcular
quanto o governo federal, os governos estaduais e as prefeituras gastam,
diretamente ou através de suas estatais, para promover-se e irrigar os
cofres das empresas de comunicação. São centenas de milhões, se não
forem bilhões. Há quem conclua ser a farra totalmente desnecessária,
ainda que eivada de malícia. Se os governos anunciam a mais não poder,
sempre sobrará um pouco de boa vontade da mídia diante de seus erros e
suas mazelas.
Todos os dias
somos atropelados, nas telinhas e nas folhas, por imensa promoção da
Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e penduricalhos, sem
que se identifique a menor vantagem empresarial ou comercial para essas
instituições. Vantagem há, sim, para os veículos que absorvem criações
publicitárias variadas. O motorista não irá abastecer seu carro num
posto da Petrobrás porque o frentista, na televisão, faz gracinhas e
firulas com os supostos fregueses. Nem o cidadão comum deve esperar
crédito mais fácil porque o Banco do Brasil abriu mais uma agência no
Casaquistão ou em Songa-Monga.
Se é para reduzir
o tamanho do estado, que se corte toda a publicidade oficial, exceção
para alguns editais e balanços que a lei exige sejam publicados na
imprensa diária. Quantas escolas, hospitais, postos de saúde e estradas
recuperadas poderiam advir dessa gastança fantástica?
Tome-se as
recentes lambanças verificadas em Brasília. Seria cômico se não fosse
trágico a gente assistir um noticiário até correto dos tele-jornais a
respeito da roubalheira da quadrilha do governador José Roberto
Arruda, mas, quando entram os intervalos comerciais, sermos
surpreendidos com imagens de tratores abrindo ruas, operários
construindo viadutos, criancinhas sorrindo, mães em exaltação ao governo
do Distrito Federal e ridículos ainda maiores. Pensam que o povo é
bobo...