Filme mostra Morro do Bumba quando local ainda era lixão
"Era um morro em combustão crônica", disse cineasta.Especialistas dizem que investimentos incentivaram ocupação.
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Caminhões não paravam de trazer lixo sem nenhum tratamento. Ninguém sabe quantas toneladas foram jogadas morro abaixo. Funcionou assim por cerca de 15 anos.
Entre os catadores, havia até crianças. Tudo cercado de urubus e da fumaça, resultado do fogo permanente da queima do gás metano que sai do material em decomposição. O filme denunciava as condições do lugar, que passou a ser chamado anos depois de Morro do Bumba.
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Há 30 anos, o cineasta Ronaldo German não voltava ao local que ele filmou quando era um grande lixão. Aqui passavam os caminhões, estavam os catadores. Depois, isso virou uma grande favela. E agora, ele vê o cenário da destruição.
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Construção ilegal
Cláudio Mahler, professor de pós-graduação da Universidade Federal do Rio, especialista em tratamento de lixo, assistiu ao filme: “O destino de um lixão é um projeto de recuperação, até ficar totalmente inerte, sem produção de gás, sendo monitorado até terminar a emissão de chorume. Tem que estar fechado”, disse.
Ele afirma que não poderia ter construções em cima do morro. Uma foto feita por uma moradora na terça-feira, um dia antes da tragédia confirma que as casas se multiplicam sem controle.
Depois do deslizamento, o lugar ficou irreconhecível. “Foi crescendo, crescendo, crescendo, até que chegou a uma comunidade muito grande”, disse a moradora Rogéria Rodrigues da Silva.
Uma outra foto dos arquivos da Agência O Globo mostra que em 1996, na administração do prefeito João Sampaio, do PDT, as ruas que levam ao alto do lixão foram pavimentadas, o que abriu caminho para novas construções.
Investimento
O atual prefeito Jorge Roberto Silveira, também do PDT, administrou a cidade durante 15 anos. Ele confirma que continuou investindo em melhoria no lugar, o que segundo especialistas, incentivou a ocupação irregular.
“Teve escola, como todo os outros bairros pobres, médico de família, água luz, calçamento de ruas. Esse é um esforço que a gente faz pela cidade toda. Se eu pudesse ter previsto isso, evidentemente que eu teria evitado”, afirmou Jorge Roberto Silveira.
Como o Jornal Nacional mostrou na quinta-feira, estudos da Universidade Federal Fluminense, encomendados pela própria prefeitura de Niterói, apontavam os riscos de construções no Morro da Bumba.