PAULO MELO CORUJA NEWS
Brasil segue roteiro, vence o freguês
Chile por 3 a 0 e avança às quartas
Time de Dunga consegue seu sexto triunfo consecutivo
sobre o adversário, com gols de Juan, Luis Fabiano e Robinho, e agora
encara a Holanda
Por Daniel Lessa
Direto de Joanesburgo,
África do Sul
Freguesia é coisa para ser respeitada, e o Brasil manteve sua tradição
diante do Chile na noite desta segunda-feira no estádio Ellis Park, em
Joanesburgo. Mesmo desfalcado de Felipe Melo e Elano, machucados, a
seleção venceu pela sexta vez seguida o rival, o maior freguês desde que
Dunga assumiu em 2006. Os 3 a 0 sobre a equipe do argentino Marcelo
Bielsa garantiram os brasileiros nas quartas de final da Copa da África
do Sul.
Robinho desencanta na Copa do Mundo e
fecha o placar no Ellis Park: 3 a 0 para o Brasil (Foto: Reuters)
A receita verde-amarela para ganhar foi bem conhecida: bola parada na
cabeçada de Juan, contra-ataque mortal para Luis Fabiano marcar e, para
completar, gol de Robinho após roubada de bola de Ramires. Foi a oitava
vez que o atacante do Santos balançou as redes chilenas, igualando-se a
ninguém menos que Pelé como maior carrasco do adversário. Ele foi eleito
o melhor em campo pela Fifa.
O terceiro triunfo sobre o Chile em jogos decisivos de Copa (os outros
foram na semifinal em 1962 e nas oitavas em 1998) pôs a equipe de Dunga
frente a frente a outro rival conhecido, a Holanda. A quarta partida
entre os países em Mundiais será na sexta-feira, às 11h (de Brasília),
em Porto Elizabeth, no estádio Nelson Mandela Bay.
Quatro minutos de susto. E só
Os primeiros quatro minutos de jogo deram a impressão de que o Chile
colocaria na prática a formação ofensiva que apresentou no papel - com
Beausejour, Alexis Sánchez, Mark González e Suazo. Foi o período do jogo
em que o Brasil esperou em seu campo defensivo, viu o adversário tocar a
bola e teve apenas 27% de posse de bola. Um contra-ataque mal
aproveitado por Luis Fabiano, com um chute fraco e para fora, mudou o
panorama.
A partir de então, o Brasil tomou para si a iniciativa do jogo e teve
pela frente um adversário que se limitou a defender. Com boa
movimentação no meio-campo, o time de Dunga encontrou espaços com
facilidade, mas falhou nas tabelas, interrompidas por erros de passe. Os
chutes de fora da área, que em princípio pareciam uma opção a mais,
transformaram-se na principal arma ofensiva nos primeiros 30 minutos.
Gilberto Silva e Ramires arriscaram, colocando Bravo para trabalhar um
pouco.
Juan comemora com Luis Fabiano o
primeiro gol brasileiro diante do Chile (Foto: Getty Images)
Na defesa, no entanto, os volantes pouco ajudavam na saída de bola,
obrigando Julio Cesar e os zagueiros a apelarem para chutões para
frente. O Brasil reclamou de um pênalti em Lúcio, mas conseguiu abrir o
placar quando tentou consertar um dos seus erros, a pouca iniciativa
pelas pontas. Numa rara jogada de linha de fundo, Maicon conseguiu
escanteio que ele mesmo cobrou. Protegido por Lúcio e Luis Fabiano, Juan
saltou e cabeceou, vendo a bola passar sobre a mão do baixinho Bravo
(de 1,83m) e fazendo 1 a 0 aos 34 minutos.