PAULO MELO CORUJA NEWS
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Uma briga envolvendo alunas do Colégio Estadual Professor Colares, no Bairro Oficinas, em Ponta Grossa, chama atenção da sociedade para problemas sociais e familiares que acabam canalizados no ambiente escolar. Dias atrás, a reportagem do Diário dos Campos flagrou as agressões sofridas pelas duas meninas na faixa etária dos 13 anos no portão do colégio, já do lado de fora. A briga aconteceu na saída da aula, por volta das 17h30. Além do espancamento em si, que já é chocante, outro detalhe chamou muito a atenção das testemunhas: havia uma mãe incitando as agressões. A briga foi apartada rapidamente e as meninas sofreram apenas escoriações leves. Os nomes das envolvidas serão preservados.
O DC mostrou as imagens registradas pelo fotógrafo Rodrigo Covolan ao diretor do colégio, Camilo Celso Ferreira, e à pedagoga do turno vespertino, Ignês Amorim Figueiredo. Os dois já haviam tomado conhecimento da briga e informaram que as duas amigas foram agredidas pelas irmãs da mãe de uma aluna. Essas duas pessoas que bateram já são adultas e não são estudantes. De acordo com Ignês, o motivo da briga é um triangulo amoroso envolvendo uma das garotas que apanhou, a filha da mulher e um menino. “A menina gosta de um rapaz, mas ele estava a fim de outra garota. A menina apaixonada contou para a mãe que aquela a encarou”, explicou a pedagoga. A mulher, então, teria mandado a filha bater na outra. “A adolescente nos disse que se ela não batesse, apanharia em casa. Como ela realmente não agrediu, a própria mulher foi lá, acompanhada das irmãs, e bateu na garota e na amiga”, disse Ignês, acrescentando que as vítimas abriram um processo. Segundo ela, as adolescentes envolvidas na confusão são boas alunas, o problema é a mãe de uma delas.
“Essa mulher é muito perigosa”, afirma Ignês. De acordo com a pedagoga, a briga registrada pelo DC foi planejada pela mulher, que tem nove filhos e netos estudando no colégio nos três períodos. “Ela é maquiavélica. Chegou, naquele dia, 15 minutos antes do término das aulas para pegar o boletim de um dos filhos. Depois, esperou a saída dos funcionários para, então, praticar as agressões”, conta.
A pedagoga lembra que esta não foi a primeira vez que a mulher agrediu alunos. O problema com ela é tão grave que os funcionários não abrem mais o portão da escola, conversam com a mulher apenas pela janela. “A gente não quer que brigas como essas aconteçam em lugar algum. Estamos tentando evitar. Em outras ocasiões, ela ameaçou pessoas da escola de morte, já invadiu o espaço e quis bater em alunos aqui dentro”, comenta.
Mau exemplo
A presidente do Conselho Tutelar Oeste, Solange Aparecida Rosa, também analisou as imagens da briga registrada pelo DC. “É lamentável que ocorra esse tipo de situação, principalmente com mãe, uma pessoa adulta que deveria ser responsável e está incentivando a violência. É um caso de polícia”, assinala.
Faca no colégio
A pedagoga Ignês Amorim Figueiredo destaca que, recentemente, outra mãe de aluna invadiu a escola com uma faca. Ela ameaçou uma estudante por causa de uma rixa entre as duas garotas. Por sorte, a situação foi contornada pelos próprios funcionários e ninguém se feriu.
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Desajuste familiar
Para a pedagoga Ignês Amorim Figueiredo, o caso abordado é grave e demonstra o desajuste social que interfere na segurança pública e na escola. “Essa mulher envolvida na confusão e sua família vivem numa região humilde e precisam de assistência”, diz. A agressão ocorrida naquele dia “não tem sentido”. Segundo ela, os filhos não têm índole para a violência, por isso, precisam de atenção e cuidado para não se adaptarem à realidade pregada no lar. “Esse caso é um problema social, típico dos guetos. Quando há um problema com uma das pessoas da família, toda a gangue vem para acertar as contas mediante violência”.
Na opinião do diretor Camilo Celso Ferreira, o esporte é a melhor forma de prevenir situações como essa e garantir o futuro de crianças e adolescentes que vivem em um ambiente hostil. “Infelizmente, nós não temos uma quadra esportiva aqui no colégio, mas estamos batalhando muito por isso. O esporte é a grande chance que a sociedade tem de recuperar os jovens. Temos projetos alternativos, como capoeira, para entreter as crianças e jovens”, revela. (E.S.)
Patrulha Escolar tenta prevenir crimes
As imagens foram apresentadas também ao comandante da Patrulha Escolar Comunitária de Ponta Grossa, tenente Saulo Vinícius Hladyszwski. Segundo ele, o caso não chegou ao conhecimento da Polícia Militar.
De acordo com o comandante, há dois problemas mais recorrentes atendidos pela Patrulha: as brigas dentro e na saída das escolas e o consumo de álcool por estudantes que ‘matam’ aula. “E temos constatado o aumento de agressões envolvendo meninas”.
Embora existam muitos casos, Saulo explica que desde que a Patrulha foi implantada no município as ocorrências nas escolas caíram drasticamente. “Hoje nosso trabalho é mais voltado para a prevenção. Nós continuamos fazendo revistas dentro das escolas, em busca de armas e drogas, mas também realizamos palestras interativas, conversamos sobre as brigas e os relacionamentos”, afirma.
O diretor do Colégio Professor Colares, Camilo Celso Ferreira, concorda que a atuação da Patrulha fez diminuir e muito a violência nas instituições de ensino. Para ele, a briga envolvendo a mãe e as meninas foi um caso isolado.
O policial destaca que, nessa situação específica, a mãe deverá responder ao processo criminal. Quando as agressões envolvem alunos, também há necessidade de registro de boletim de ocorrência e os adolescentes respondem pelo ato infracional.
Segundo o tenente, o fato desperta preocupação e deixa os alunos e professores temerosos. “Mas os pais têm consciência de que a Patrulha Escolar pode entrar para fazer revistas”. O comandante assegura ainda que as viaturas estão das 7 às 23 horas nas ruas, fazendo patrulhamento no entorno das escolas e visitas. (E.S.)
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Vara da Infância está atenta
A juíza da Vara da Infância e Juventude de Ponta Grossa, Noeli Reback, diz que não chegou ao seu conhecimento o caso específico registrado no Colégio Professor Colares. Noeli também lamenta a atitude da mãe, que incentivou as agressões. “Ela é coautora e não está atuando corretamente como mãe”, comenta. Segundo a magistrada, a mulher pode responder a processo administrativo com advertência e ainda ser aplicada contra ela medidas mais severas. “Se houver notícias repetitivas desse tipo de situação, teremos de tomar providências enérgicas”, destaca.
Num caso como esse, orienta Noeli, a primeira coisa que deve ser feita é chamar a polícia. “É necessário que a situação seja investigada”. A juíza comenta que, atualmente, não há registro de brigas que resultam em lesões de maior gravidade, mas nada impede que isso venha a acontecer, por isso a importância da prevenção e do debate em torno do assunto. (E.S.)
Briga em escola expõe grave problema social
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Uma briga envolvendo alunas do Colégio Estadual Professor Colares, no Bairro Oficinas, em Ponta Grossa, chama atenção da sociedade para problemas sociais e familiares que acabam canalizados no ambiente escolar. Dias atrás, a reportagem do Diário dos Campos flagrou as agressões sofridas pelas duas meninas na faixa etária dos 13 anos no portão do colégio, já do lado de fora. A briga aconteceu na saída da aula, por volta das 17h30. Além do espancamento em si, que já é chocante, outro detalhe chamou muito a atenção das testemunhas: havia uma mãe incitando as agressões. A briga foi apartada rapidamente e as meninas sofreram apenas escoriações leves. Os nomes das envolvidas serão preservados.
O DC mostrou as imagens registradas pelo fotógrafo Rodrigo Covolan ao diretor do colégio, Camilo Celso Ferreira, e à pedagoga do turno vespertino, Ignês Amorim Figueiredo. Os dois já haviam tomado conhecimento da briga e informaram que as duas amigas foram agredidas pelas irmãs da mãe de uma aluna. Essas duas pessoas que bateram já são adultas e não são estudantes. De acordo com Ignês, o motivo da briga é um triangulo amoroso envolvendo uma das garotas que apanhou, a filha da mulher e um menino. “A menina gosta de um rapaz, mas ele estava a fim de outra garota. A menina apaixonada contou para a mãe que aquela a encarou”, explicou a pedagoga. A mulher, então, teria mandado a filha bater na outra. “A adolescente nos disse que se ela não batesse, apanharia em casa. Como ela realmente não agrediu, a própria mulher foi lá, acompanhada das irmãs, e bateu na garota e na amiga”, disse Ignês, acrescentando que as vítimas abriram um processo. Segundo ela, as adolescentes envolvidas na confusão são boas alunas, o problema é a mãe de uma delas.
“Essa mulher é muito perigosa”, afirma Ignês. De acordo com a pedagoga, a briga registrada pelo DC foi planejada pela mulher, que tem nove filhos e netos estudando no colégio nos três períodos. “Ela é maquiavélica. Chegou, naquele dia, 15 minutos antes do término das aulas para pegar o boletim de um dos filhos. Depois, esperou a saída dos funcionários para, então, praticar as agressões”, conta.
A pedagoga lembra que esta não foi a primeira vez que a mulher agrediu alunos. O problema com ela é tão grave que os funcionários não abrem mais o portão da escola, conversam com a mulher apenas pela janela. “A gente não quer que brigas como essas aconteçam em lugar algum. Estamos tentando evitar. Em outras ocasiões, ela ameaçou pessoas da escola de morte, já invadiu o espaço e quis bater em alunos aqui dentro”, comenta.
Mau exemplo
A presidente do Conselho Tutelar Oeste, Solange Aparecida Rosa, também analisou as imagens da briga registrada pelo DC. “É lamentável que ocorra esse tipo de situação, principalmente com mãe, uma pessoa adulta que deveria ser responsável e está incentivando a violência. É um caso de polícia”, assinala.
Faca no colégio
A pedagoga Ignês Amorim Figueiredo destaca que, recentemente, outra mãe de aluna invadiu a escola com uma faca. Ela ameaçou uma estudante por causa de uma rixa entre as duas garotas. Por sorte, a situação foi contornada pelos próprios funcionários e ninguém se feriu.
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Desajuste familiar
Para a pedagoga Ignês Amorim Figueiredo, o caso abordado é grave e demonstra o desajuste social que interfere na segurança pública e na escola. “Essa mulher envolvida na confusão e sua família vivem numa região humilde e precisam de assistência”, diz. A agressão ocorrida naquele dia “não tem sentido”. Segundo ela, os filhos não têm índole para a violência, por isso, precisam de atenção e cuidado para não se adaptarem à realidade pregada no lar. “Esse caso é um problema social, típico dos guetos. Quando há um problema com uma das pessoas da família, toda a gangue vem para acertar as contas mediante violência”.
Na opinião do diretor Camilo Celso Ferreira, o esporte é a melhor forma de prevenir situações como essa e garantir o futuro de crianças e adolescentes que vivem em um ambiente hostil. “Infelizmente, nós não temos uma quadra esportiva aqui no colégio, mas estamos batalhando muito por isso. O esporte é a grande chance que a sociedade tem de recuperar os jovens. Temos projetos alternativos, como capoeira, para entreter as crianças e jovens”, revela. (E.S.)
Patrulha Escolar tenta prevenir crimes
As imagens foram apresentadas também ao comandante da Patrulha Escolar Comunitária de Ponta Grossa, tenente Saulo Vinícius Hladyszwski. Segundo ele, o caso não chegou ao conhecimento da Polícia Militar.
De acordo com o comandante, há dois problemas mais recorrentes atendidos pela Patrulha: as brigas dentro e na saída das escolas e o consumo de álcool por estudantes que ‘matam’ aula. “E temos constatado o aumento de agressões envolvendo meninas”.
Embora existam muitos casos, Saulo explica que desde que a Patrulha foi implantada no município as ocorrências nas escolas caíram drasticamente. “Hoje nosso trabalho é mais voltado para a prevenção. Nós continuamos fazendo revistas dentro das escolas, em busca de armas e drogas, mas também realizamos palestras interativas, conversamos sobre as brigas e os relacionamentos”, afirma.
O diretor do Colégio Professor Colares, Camilo Celso Ferreira, concorda que a atuação da Patrulha fez diminuir e muito a violência nas instituições de ensino. Para ele, a briga envolvendo a mãe e as meninas foi um caso isolado.
O policial destaca que, nessa situação específica, a mãe deverá responder ao processo criminal. Quando as agressões envolvem alunos, também há necessidade de registro de boletim de ocorrência e os adolescentes respondem pelo ato infracional.
Segundo o tenente, o fato desperta preocupação e deixa os alunos e professores temerosos. “Mas os pais têm consciência de que a Patrulha Escolar pode entrar para fazer revistas”. O comandante assegura ainda que as viaturas estão das 7 às 23 horas nas ruas, fazendo patrulhamento no entorno das escolas e visitas. (E.S.)
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Vara da Infância está atenta
A juíza da Vara da Infância e Juventude de Ponta Grossa, Noeli Reback, diz que não chegou ao seu conhecimento o caso específico registrado no Colégio Professor Colares. Noeli também lamenta a atitude da mãe, que incentivou as agressões. “Ela é coautora e não está atuando corretamente como mãe”, comenta. Segundo a magistrada, a mulher pode responder a processo administrativo com advertência e ainda ser aplicada contra ela medidas mais severas. “Se houver notícias repetitivas desse tipo de situação, teremos de tomar providências enérgicas”, destaca.
Num caso como esse, orienta Noeli, a primeira coisa que deve ser feita é chamar a polícia. “É necessário que a situação seja investigada”. A juíza comenta que, atualmente, não há registro de brigas que resultam em lesões de maior gravidade, mas nada impede que isso venha a acontecer, por isso a importância da prevenção e do debate em torno do assunto. (E.S.)